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/Blog Hugo Leal

abril, 2008


Pesquisa: cresce rejeição ao aborto

domingo, 6 abril, 2008

A pesquisa, publicada no domingo (06/04) pela Folha de São Paulo revela ainda que a taxa dos que querem que o aborto continue sendo tratado como crime está em ascensão. Em 2006, os que defendiam a lei somavam 63%; em 2007, eram 65%. A taxa dos que não querem flexibilizar a lei cresceu 14 pontos percentuais entre 1993 e 2008. Naquele ano, 54% defendiam a punição criminal ao aborto.

Quanto mais elevada a escolaridade, maior é o apoio a mudanças na lei. Entre os que concluíram curso superior, 30% defendem que o aborto seja permitido em mais situações do que é hoje: quando a mulher corre risco de morte, quando há má-formação no feto e quando a gravidez é resultado de crime.

Entre os que só cursaram o ensino fundamental, a taxa dos que são contrários a mudanças é a terceira mais alta: 71%. A segunda taxa mais elevada dos que defendem a manutenção da lei está na região Sul do país (72%). O percentual mais alto é encontrado entre os que têm 60 anos ou mais: 73%.

O grau de urbanização parece influenciar os que defendem mudanças. Um quinto dos moradores das capitais dizem que gostariam de uma lei que permitisse o aborto em mais situações -seis pontos percentuais acima da média nacional. Já nas cidades do interior, 70% querem que a lei siga sem mudanças -dois pontos acima da média. Cariocas e paulistanos têm visões diferentes sobre essa questão. No Rio, o tema é tratado com mais liberalidade -53% defendem que a lei continue a mesma (15 pontos abaixo da média). Já em São Paulo, essa taxa é de 59%.

O aumento da taxa dos que são contra o aborto coincide com a campanha que a Igreja Católica move contra esse tipo de prática no Brasil. A defesa da vida foi o tema da Campanha da Fraternidade de 2008 da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), com o lema é “Escolhe, pois, a vida”. Foram realizados atos contra a legalização do crime de aborto em todos os estados. O alvo principal da CNBB é um projeto de lei que descriminaliza o aborto, que tramita há 16 anos na Câmara dos Deputados.