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/Blog Hugo Leal

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PSB celebra 70 anos com ato político e cultural em Brasília

sexta-feira, 11 agosto, 2017

Militantes do PSB e todo o país se reuniram nesta quinta-feira (10), em Brasília, para celebrar os 70 anos de história do partido. Estiveram presentes integrantes da Executiva e do Diretório Nacional, governadores, senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos, vereadores e representantes de movimentos sociais. Como parte das comemorações, aconteceu a conferência magna “Desafios da Esquerda Democrática no Brasil e no Mundo”, com o deputado do Partido Socialista Obrero Espanhol (PSOE), Ignácio Sánchez Amor, o pós-doutor em Ciência Política pela Universidade de Oxford (Inglaterra), Oscar Vilhena Vieira, e o jornalista e analista internacional Carlos Monge Arístegui, do Partido Socialista do Chile.

O evento começou com os hinos nacional e da Internacional Socialista e durante toda a cerimônia bandeiras foram agitadas pelos participantes. O salão azul do Hotel Nacional, onde acontecem as comemorações, foi decorado com uma exposição temática sobre a trajetória política do partido no país. Selo e carimbo comemorativos dos 70 anos foram lançados pelos Correios, e um vídeo-documentário foi exibido contando os principais momentos das sete décadas do PSB.

Durante a celebração, músicos e repentistas se apresentaram entre os discursos. O quarteto de choro do projeto Jaime Ernest Dias entoou a canção “Madeira que cupim não rói”, do compositor Lourenço da Fonseca Barbosa, conhecido como Capiba. O poeta Antônio Marinho recitou versos que compôs especialmente para a data comemorativa. Também apresentou o soneto Marginal Aposentado, do poeta Diniz Vitorino, e interpretou a música Luzes da Ribalta, de Charles Chaplin: “Para que chorar o que passou/lamentar perdidas ilusões/se o ideal que sempre nos acalentou/renascerá em outros corações”. O representante da Negritude Socialista Brasileira (NSB), Mandruvá Samba, de Sabará (MG), cantou o clássico da música popular brasileira, “O que é o que é”, de Gonzaguinha, acompanhado das centenas de presentes.

O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, relembrou a história do PSB desde sua criação, em 6 de agosto de 1947, sob o lema Socialismo e Liberdade. Destacou a figura de João Mangabeira, primeiro presidente do partido. “Nós somos, sem nenhuma modéstia, precursores da ideia extraordinária de não aceitar socialismo sem liberdade”, afirmou.Siqueira destacou nomes de socialistas históricos como o primeiro prefeito de capital eleito pelo PSB e reeleito duas vezes no Recife, Pelópidas da Silveira, o advogado Francisco Julião que liderou o movimento social das ligas camponesas, em Pernambuco, e o ex-governador e ex-presidente do partido, Miguel Arraes, quando liderou o Acordo do Campo, que obrigou usineiros a cumprirem as leis trabalhistas para os canavieiros da Zona da Mata.

Entre 1947 e 1964, recordou, o partido participou de momentos importantes da história política do Brasil, como a campanha O Petróleo é Nosso, em defesa do controle nacional, e a Campanha da Legalidade, para exigir a posse de João Goulart. Em 1965, o partido foi colocado na ilegalidade pela ditadura militar. Mas, em 2 de julho de 1985, o PSB é refundado e conserva o mesmo programa de 1947, de caráter socialista e democrático, lembrou o presidente. “Na sua reconstrução nesses mais de 30 anos de militância e de presença firme e coerente na política nacional, o PSB teve muitos problemas”, reconhece. Entretanto, avaliou Siqueira, as dificuldades enfrentadas pelo partido ao longo de sua história não o impediram de chegar aos 70 anos unido e coerente com seus princípios de sua fundação.

Na celebração dos 70 anos do PSB, o partido homenageou a Eduardo Campos – ex-ministro e ex-governador de Pernambuco, morto em acidente aéreo na campanha presidencial de 2010. O presidente do PSB, Carlos Siqueira, entregou uma placa a Renata Camps, viúva do ex-governador, que completaria 52 anos neste dia 10 de agosto. Ela estava acompanhada dos filhos João, Maria Eduarda, José e Miguel.

O presidente da Fundação João Mangabeira, Renato Casagrande, saudou a família Campos e ressaltou a coerência do PSB ao longo de sua história. “O PSB é um partido coerente desde a Esquerda Democrática, e agora, mais do que nunca, precisamos mantê-la e fortalecê-la no momento em que os brasileiros sofrem ataque das forças políticas conservadoras. Cabe a nós, socialistas, fazermos uma barreira para que possamos proteger o contrato social que é a Constituição de 1988”, afirmou.

O vice-governador de São Paulo Márcio França ressaltou a capacidade de liderança de Campos e disse que seu legado é referência principalmente entre os mais jovens, que não tiveram a oportunidade de conviver com lideranças mais antigas do partido. “A maneira de Eduardo conduzir as coisas, de enfrentar momentos difíceis, e sua capacidade de decisão envolvem até hoje cada um de nós. Ele passou pelo nosso partido de uma forma tão moderna e inteligente, e deixou o seu legado aos jovens que não tiveram a oportunidade de conviver com as lideranças mais antigas do PSB”, disse.

O governador do DF, Rodrigo Rollemberg, lembrou de momentos marcantes que vivenciou no PSB e disse que os socialistas não devem perder as esperanças diante da crise atual do país. Rollemberg afirmou ainda que os filiados “errarão menos e acertarão mais” se tiverem a capacidade de se espelhar em líderes como Jamil Haddad, Miguel Arraes e Eduardo Campos.

“Jamil Haddad dedicou a sua vida para organizar o PSB, é um exemplo para aqueles que estão iniciando a sua jornada na política. Arraes mantinha permanente comunhão com o povo. Eduardo Campos era um homem com os pés plantados na realidade e com os olhos voltados para o futuro. Se tivermos a capacidade de refletirmos sobre o que esses líderes fariam neste momento de dificuldade, vamos errar menos e acertar mais”, disse Rollemberg, que falou em nome dos governadores do partido.