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Integração é a chave para resolver problemas com acidentes de trânsito no país

Presidente da Frente Parlamentar do Trânsito se reúne com representantes de órgãos de governo para discutir segurança veicularO primeiro passo para resolver a situação do trânsito no Brasil é a integração dos ministérios, com o objetivo de criar um plano de ação estratégico. Esse foi o consenso obtido durante reunião de integrantes da Frente Parlamentar em Defesa do Trânsito Seguro com representantes dos ministérios do Desenvolvimento, Justiça, Cidades e Saúde. Também estiveram presentes à reunião representantes da Organização Mundial de Saúde (OMS), da Secretaria Nacional de Consumidor e do Inmetro.

Durante o encontro, foram relatadas as dificuldades para traçar um plano de redução de acidentes para o Brasil. “Não se trata apenas de leis mais duras para os condutores. A segurança do trânsito deve começar no processo de fabricação de um veículo”, ressalta Hugo Leal, presidente da Frente Parlamentar do Trânsito Seguro. O país é considerado o 5º em acidentes em todo o mundo pela Organização Mundial de Saúde.

Um exemplo da ausência de canais de comunicação foi citado pelo diretor de Divisão de Multas e Penalidades da Polícia Rodoviária Federal (PRF), inspetor Dias Rodrigues. Segundo Rodrigues, há uma grande quantidade de normas criadas por órgãos distintos. A fabricação de ônibus, por exemplo, é submetida a normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que não se reflete no Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Com isso, a legislação brasileira permite que o veículo passe por alterações após a compra, sem que haja parâmetros para a inspeção veicular em termos de segurança.

Presidente da Frente Parlamentar do Trânsito se reúne com representantes de órgãos de governo para discutir segurança veicularO diretor do Departamento de Prevenção de Violência e Lesões da OMS, Etienne Krug, também reclamou da morosidade das legislações de trânsito no país. “Precisamos de uma melhor coordenação do governo para que as decisões sobre segurança no trânsito sejam tomadas com mais rapidez;” ressaltou. Kurg reconheceu que o Brasil já avançou muito na área, citando a Lei Seca (Lei 11.705/08), que se tornou uma referência no exterior, mas acredita que ainda há muito que melhorar.

“O número de mortos no Brasil, quase 44 mil, continua sendo enorme, então mais esforços são necessários. Um esforço político do alto nível seria um apoio muito importante para estimular todas as partes da sociedade”, afirmou Krug.

Hugo Leal acredita ser necessário unir o debate da política industrial com a política de segurança. O próximo passo da frente parlamentar é debater recursos orçamentários para a criação de um laboratório de testes para a segurança veicular, para que a análise de recalls não fique a cargo exclusivamente das informações prestadas pelas fabricantes de veículos.

“Não há mais como tratar o trânsito de forma isolada. O acidente não é de responsabilidade apenas do condutor. Essa reunião mostrou que temos que melhorar os testes veiculares e, para isso, é necessário ampliar o grupo de trabalho de segurança veicular do Contran e a criar outro grupo de trabalho no âmbito do Ministério do Desenvolvimento.

 

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